As pequenas coisas...

(...) Sentir o coração pesado de saudades. (...) Lembrar os minúsculos gestos de carinho quotidiano dos amigos que trazemos dentro da voz, mesmo que não os possamos ver. Telefonar-lhes por nada, para nada. Rir ao telefone com eles. Choramingar com eles. (...) Ter demasiados e-mails para responder. Não abrir o computador durante dias seguidos. (...) Flutuar sobre o hábito da culpabilidade. Dizer «que se lixem», e dizê-lo mesmo a sério. Ter demasiados livros para ler. Passar os dedos pelas páginas desses livros que estão à nossa espera. (...) Aprender outra vez a perder tempo. Perder o medo de dizer não. Mandar às urtigas as expectativas alheias. (...) Receber o abraço comprido de uma criança. Perder a vergonha de dizer sim. (...) Acreditar que só naquilo que nos sabe bem acreditar .. (...) Descobrir isso que se quer mesmo. (...) Pensar que a idade nos traz o dom de radiografar as pessoas ao primeiro olhar. Pensar que mesmo que nos enganemos não é grave, porque haverá sempre sol e as estrelas e as árvores onde os passáros cantam no meio da cidade e o cheiro a relva molhada.



Mas há imagens que jamais se vão apagar... expressões que serão guardadas para sempre no mais fundo de nós... e uma vida que tem de continuar.

